segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Como é fácil pra eles...


Decididamente, tem algumas coisas que são mais fáceis para os homens do que para as mulheres. Coisas que, como se viessem registradas no DNA masculino, eles fazem com infinitamente mais facilidade do que nós, mulheres.

Não, eu não estou falando sobre carregar caixas, abrir vidros de palmito e nem tampouco sobre parafusar prateleiras. Refiro-me a questões mais corriqueiras. Quem de vocês já reparou a destreza e rapidez com que eles encontram uma programação bacana – pelo menos do ponto de vista deles – na grade de mais de 200 canais da TV a cabo? Ou a tranquilidade com que conseguem se sentar diante dessa mesma TV com um bebê recém-nascido berrando no colo. Sim, porque “não é porque o bebê quer que o pai fique em pé que ele vai ficar”, né? Senta-se e, com uma facilidade invejável, abstrai o choro e assiste à programação normalmente. Até que a gente, incomodada com o berreiro, vai lá e resgata o pobre bebê.

Mas uma das coisas que os homens fazem com mais facilidade e que, confesso, me dá uma inveja daquelas, é dormir. Deus do céu! Eles dormem como se há séculos não o fizessem. Na praia, na sala, na casa da mãe, do sogro, no carro, no avião... Não importa onde estejam, se a oportunidade surgir, eles agarram sem medo - e muito menos vergonha.

Dia desses, estávamos na praia, em meio a conversas, crianças (sim, tinha criança pra cuidar), caipirinha e sol. Estranhei que o @fabiobbarros estivesse imóvel em uma posição pouquíssimo confortável por tanto tempo. Só podia ser: estava dormindo! Vou tentar descrevê-la aqui para que vocês entendam o meu espanto. Ele estava sentado em uma dessas cadeiras de barracas de praia, normalmente vermelhas (da Brahma) ou amarelas (da Skol), duras e sem nenhuma inclinação, sabem? O braço esquerdo erguido, dobrado de forma que o antebraço ficou apoiado sobre a cabeça, pernas cruzadas e o braço direito apoiado sobre o braço da cadeira. Óculos de sol pra dar aquela disfarçada básica. Visualizaram? Agora eu pergunto: como alguém consegue dormir desse jeito, nessa posição?

Outra situação engraçada, não fosse pelo medo que eu passei, foi a caminho das nossas férias em San Francisco. No primeiro trecho da viagem – um vôo de nove horas – ele dormiu por pelo menos sete horas. Acordou pra comer e para preencher formulários de imigração. E só! Só mesmo! Em um determinado momento, o avião passou por uma turbulência que eu nunca, nunca havia sentido. Fiquei desesperada, a ponto de achar que estávamos caindo. “Morzão, meu, acorda! Tô com muito medo!” Ele, exatamente nesta ordem, entreabriu os olhos, pegou na minha mão, disse “calma, Morzão, não é nada”, virou-se e continuou dormindo! Como assim?! Como alguém consegue dormir com o avião sacudindo daquele jeito?

Agora, como eu não consigo dormir e já não aguento essa viagem – estamos na quinta hora de vôo do segundo trecho a caminho de San Francisco –, decidi abrir o computador para escrever. E, enquanto eu escrevo este texto, espremida entre uma senhora simpática – mas rechonchuda – e o Fábio, ele, claro, dorme o sono dos justos. E, seguramente, não terá nenhuma dificuldade para dormir a noite. Não há jet lag ou diferença de fuso horário que lhe tirem o sono!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

É prá comer ou prá esfregar???

Dia desses um velho amigo colocou dois posts no Facebook demonstrando absoluta confusão com os cosméticos que tinha em casa. No primeiro, contava ter tentado fazer a barba com gel de cabelo. No segundo, alguns dias depois, contava que tinha tentado fixar o cabelo com o creme de barbear, e dizia estar ficando preocupado, que estes seriam sinais de idade avançada etc.
Não são. Definitivamente não são sinais de confusão mental ou coisa que o valha. Alguém já parou para prestar atenção nos cosméticos que nossas mulheres colocam em nossas prateleiras ultimamente? Eu me lembro do tempo em que, para o banho, havia sabonete, xampu Colorama de babosa e aquele creme rinse cor de rosa. Só!!!! Ah, sim, e o sabonete era sólido, impossível de confundir com qualquer outra coisa.

Por conta dessa história, dei uma olhada detalhada no que havia na prateleira do meu banheiro. Começa pelo xampu... É sem sal!! Eu nem sabia que problemas cardíacos começavam pelo cabelo. Mas fica aí uma boa desculpa, caso alguém pergunte se eu tenho uma alimentação saudável: “não muito, mas meu xampu é sem sal, o que já adianta um lado”.




E não basta ele ser sem sal, ele é de camomila e macadâmia... Macadâmia, acreditam?? Bom, a camomila, se for chá, acalma, e a macadâmia... Bom, a macadâmia eu não conhecia até a Fernanda me apresentar sua paixão pelos sorvetes de macadâmia da Haagen-Dazs. Na verdade nem o corretor do Word conhece a macadâmia, que está toda grifada aqui neste texto. Mas aí aparece um xampu de camomila e macadâmia e sem sal. Não será estranho se alguém tentar beber ou usar como cobertura de sorvete.

E não bastasse o xampu, outro dia a Fernanda me deu um sabonete líquido para o banho. Bacana, cheiroso... e de gengibre. Minha primeira reação foi fazer um gargarejo com o danado (gengibre é bom prá garganta, né?). Mas ele tem os complementos: extratos de álamo e de carvalho e óleos de menta e gengibre (fosse sólido, dava para mascar como chiclete).



E se as fórmulas apresentadas nos rótulos confundem, prestem atenção às instruções de uso. O tal sabonete líquido é recomendado para uso nos rosto, mãos e corpo. Quando eu li isso me bateram várias dúvidas: rosto e mãos não são corpo? Corpo então é o quê? Tudo menos o rosto e as mãos? E os pés? Não estão no mesmo grupo das mãos, mas eu posso considera-los como corpo? Se sim, por que as mãos, que também são membros, não são corpo? Se não, tenho que comprar outro sabonete para os pés? Pés não merecem gengibre?? É isso??

Ficam aqui minhas sinceras saudades do xampu Colorama!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Os problemas da Martinha...



Já vou adiantando que a Martinha é um personagem fictício, não existe fisicamente, não tem telefone, RG ou coisa que o valha. Mas ela existe, e muito, conceitualmente. No imaginário masculino, a Martinha é aquela quase amiga/vizinha/colega de faculdade de nossas companheiras.

Vamos deixar claro. A Martinha não é a melhor amiga e confidente das mulheres, mas aquela conhecida frequente, com quem elas trocam informações superficiais e sem importância vez ou outra. Mas aí é que está o perigo, e são essas informações sem importância as responsáveis por várias das discussões inúteis que temos ao longo da nossa vida conjugal.

Essas informações guardam armadilhas perigosas. Acontece mais ou menos assim:

Mulher – te contei da Martinha?

Você – Não. O que aconteceu?

Mulher – Tá uma arara com o Eugênio (esse é o fictício marido/companheiro da Martinha).

Você – Ah, é? Por quê?

Aqui os homens começam a se enredar. Essa é a deixa para que sua mulher fale sobre os problemas da Martinha com o Eugênio, que podem ser muitos:

Mulher – Porque ele a) não ajuda em casa; b) não leva as crianças na natação; c) deixa toalha molhada na cama; d) não põe roupa suja no cesto; e) não desgruda da TV; f) não larga o controle remoto; g) não gosta da mãe dela; h) não se dá com o irmão dela; i) trabalha todo final de semana; j) não lava o carro; k) deixa meias sujas no sapato; etc., etc.

O problema em si é irrelevante. A questão é que, no momento em que ela descreve o problema do Martinha, você, homem, ferrou-se, e em qualquer uma das reações possíveis. Se não, vejamos:

Neutro
Você, bem humorado – Ah, eles são assim mesmo...

Mulher – Tá rindo do quê? Você faz igual...

Viu? Pronto. Foi-se a Martinha e o problema agora é você.

A favor da Martinha
Você – Verdade. Tá certa ela!

Mulher – Jura? Então vale para o senhor também, que é igual a ele.

Pronto! Caiu de novo!

Na pior das hipóteses, e já sabendo o inevitável destino da conversa, você pode partir para o confronto direto:

Você – Eu hein! O Eugênio é que tá certo! A Martinha é folgada prá caramba!

Por tudo isso é bom estar sempre atento à possibilidade de que os problemas da Martinha apareçam, e procurar evita-los ao máximo:

Mulher – te contei da Martinha?

Você – Acho que sim... Vamos tomar um sorvete??

sábado, 30 de julho de 2011

Filmes de aventura


Ah, filmes de aventura... Não sei ainda se é preferência pelo gênero de ação ou se é algo inconsciente no gênero masculino, especificamente para provocar o sexo oposto. Só sei que, entre os 150 canais oferecidos por nossa TV a cabo, o @fabiobbarros invariavelmente para em algum filme de ação, aventura ou algo que o valha.

Ainda estou tentando descobrir se ele realmente tem essa preferência ou se a preferência dele é pelo filme mais barulhento possível, com helicópteros, avisões, tiroteio e tudo mais que possa me manter longe da sala pelo tempo que durar o filme.

Sim, porque como, segundo o @fabiobbarros, não tem graça assistir a esses filmes em baixo volume (ou volume normal, dependendo do ponto de vista), a TV fica no que parece - pelo menos pra mim - ser algo próximo de seu volume máximo. São milhares de decibéis capazes de enlouquecer alguém - ou, no mínimo, garantir uma dor de cabeça daquelas!

E, para ficar só na questão do barulho, nem vou comentar o quanto me irrita o fato de ele conversar comigo com o olho na tela, pra não perder nada, ou o fato de que os filmes normalmente acabam depois que começa a novela que eu quero assistir, ou ainda que, enquanto ele não desgruda o olho da TV, por vezes a Maria Helena está, por exemplo, desenhando no tênis embaixo do nariz dele... Não vou comentar. Deixa pra lá...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Da seletividade das contas

Só depois de muitos anos de convivência é possível entender minimamente como funciona a mente feminina quando o assunto é dinheiro, ou gastos, mais especificamente. No caso da @fkyrillos, só agora eu começo a identificar alguns sinais de como se processam prioridades e se forma o conceito do que é caro e do que é barato (o que nem sempre é tão claro).
Na prática, é mais ou menos assim: caro é tudo aquilo que ela é obrigada a fazer, e barato é tudo aquilo que lhe dá prazer. Parece complicado, mas fica mais simples quando se entende que os conceitos não têm absolutamente nada a ver com valores. O preço, como medida de valor, não tem valor algum. Fácil né?

Exemplifico: ela é capaz de entrar em uma loja de roupas, sem qualquer compromisso, e sair de lá com algumas centenas de Reais em blusas, blusinhas, camisetas, calças e botas... Sem a menor cerimônia ou culpa, porque isso não é caro. Não importa quanto custaram, as roupas lhe deram prazer.

Caro é ter de pagar R$ 7,00 por um DOC. A @fkyrillos é capaz de ficar uma hora no trânsito, 30 minutos para estacionar o carro e duas horas na fila do banco para sacar dinheiro, e depois ficar mais uma hora na fila de outro banco para depositar esse dinheiro. Tudo isso para não pagar R$ 7,00 em um DOC. Mesmo que custasse R$ 0,10, o DOC seria caro, porque ela é obrigada a pagar por ele, o que não lhe agrada nem um pouco.

Ficou claro??

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mais uma oração

Na onda da Banda Mais Bonita da Cidade, eu também resolvi publicar aqui uma oração em homenagem as mulheres. É só a letra (de autoria desconhecida), mas quem quiser pode musicar e gravar um clipe feliz para colocar na web:

“Querido Deus,
Até agora o meu dia foi bom:
não fiz fofoca,
não perdi a paciência,
não fui gananciosa, sarcástica, rabugenta,
chata e nem irônica.
Controlei minha TPM,
não reclamei,
não praguejei,
não gritei,
nem tive ataques de ciúmes.
Não comi chocolate.
Também não fiz débitos em meu cartão de crédito
(nem do meu marido) e nem dei cheques pré-datados.
Mas peço a sua proteção, Senhor, pois estou para levantar da cama a qualquer momento...
Amém!”

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um dia no(s) shopping(s)

A MH tem três anos, a @fkyrillos tem mais de 30 (ela diz que não liga, mas por via das dúvidas, deixa assim) e as duas já travam discussões bastante acaloradas sobre moda. Dia desses a @fkyrillos comprou uma botinha, segundo a MH, preta brilhante e com lacinho. Ela adorou, mas ficou pequena (a velocidade com que os pés destes pequenos espicham pode ser tema de outro post, mais pra frente).

No sábado tínhamos uma festa e a @fkyrillos decidiu ir ao shopping trocar a botinha por outra igual, só que maior. Lá foi a família feliz ao Jardim Sul, mais perto de casa. Chegando à loja, obviamente não havia a tal botinha preta brilhante e com lacinho no tamanho. A vendedora – numa eficiência que nunca se vê a nosso favor – tratou logo de trazer todas, sim, todas as botinhas disponíveis na loja e entre elas, uma rosa choque brilhante com um negócio no cano que parecia uma gola de papai noel (não sei o nome disso, mas é bem parecida com a da foto aí em cima).

A partir daí, deu-se mais ou menos o seguinte diálogo:

@fkyrillos – Olha essa que linda filha...

MH – Eu quero a rosa.

@fkyrillos - Mas você viu essa preta com coraçõezinhos?

MH – Eu quero a rosa.
@fkyrillos – Essa rosa é muito exagerada. E essa vermelha?

MH – Eu quero a rosa (já com a rosa no pé).

@fkyrillos – Vamos experimentar essa azul?

MH – Não. Eu quero a rosa.

@fkyrillos (para mim) – E agora?

Eu – Agora leva a rosa

@fkyrillos – Mas você gostou?

Eu – Não gostei de nenhuma, mas ela gostou da rosa.

@fkyrillos– A rosa eu não vou levar.
@fkyrillos (para a MH) – Filha, então vamos ver uma crocs também...

MH – Mas eu quero a bota rosa.
@fkyrillos – A gente vai levar a bota, mas vamos escolher uma crocs também.

MH – Eu vou ficar com a bota?

@fkyrillos – Vai.

MH – Então tá.

A vendedora trouxe então dois pares de crocs, um rosa e um roxo. Novo diálogo:

@fkyrillos – Vamos experimentar essa rosa?

MH – Não, eu quero a roxa.

Neste momento a @fkyrillos me olhou de um jeito que só quem a conhece sabe. Um olhar que, em milésimos de segundo, podia ser traduzido em “se você não me segurar agora eu vou pegar todas essas crocs e botinhas e fazer essa vendedora engolir uma por uma antes de pegar a botinha que eu bem entender, enfiar no pé da MH e ir embora daqui com ela berrando o quanto ela quiser”. Mas durou pouco. Ela respirou fundo, e começou:

@fkyrillos – Filha, a rosa combina mais com suas roupas.

MH – Eu quero a roxa.

Eu – Mas a roxa não é feia...

@fkyrillos (pra mim) – Mas ela escolheu só porque eu quis a rosa.

Eu – É.
@fkyrillos – Então eu não vou levar a bota rosa.

Eu – Não sei.

@fkyrillos – Filha, então vamos combinar assim. Você fica com a crocs roxa, mas a gente vai escolher outra bota...

MH (com a crocs roxa no pé) – Hummm...

@fkyrillos – Vamos combinar isso?

MH – Vamos.

@fkyrillos – Então vamos escolher outra botinha...

MH – Eu quero a preta brilhante e com lacinho.

@fkyrillos – Mas não tem do seu tamanho.

MH – Eu quero a preta brilhante e com lacinho.

Vendedora – Na nossa loja do shopping Morumbi tem do tamanho que a senhora quer...

Novo olhar, só que um pouco mais intenso. Achei melhor intervir.

Eu – Vamos lá buscar.
Fomos e claro que não outra loja não tinha a tal botinha preta brilhante e com lacinho, mas tinha uma preta brilhante com fivelinha dourada. A @fkyrillos ficou feliz, a MH ficou feliz e eu fiquei com a certeza de que não vou quere estar por perto quando as duas saírem juntas para ir às compras em alguns anos. Ah, sim, também com a certeza de que ajudei pacas a resolver o conflito.

sábado, 30 de abril de 2011

O feminismo lá de casa


Eu sempre achei o movimento feminista um treco meio estranho. Demorei um bocado para entender para que ele servia e porque tinha surgido e, reconheço, foi um choque! Foi um caso típico de trombada de culturas, só que ao contrário.

Isso porque eu fui criado em um legítimo matriarcado. Ele começou com minha avó, que sempre trabalhou e sempre mandou em casa, e se estendeu para suas cinco filhas, que também sempre trabalharam e mandaram em suas casas. Ah, sim, ela teve um filho, mas ele teve duas filhas, o que acabou com qualquer possibilidade de implantação de um mínimo de poderia masculino na família.

Contribuiu muito para isso o espírito do meu avô, que sempre esteve muito mais interessado nas grandes questões da alma (ele foi seminarista quando jovem e, depois de casado e com todos os filhos, padre da Igreja Católica Brasileira, que aceitava casados) do que nas questiúnculas comezinhas do dia-a-dia, como aluguel, supermercado, conta de luz etc.

Assim minha mãe e minhas tias foram criadas em um mundo em que elas podiam trabalhar dirigir, usar calça comprida, fumar e beber (todas fumavam e bebiam) ou o que fosse. Nenhuma delas conseguiu se manter casada, exceto minha mãe, a mais nova, que achou que era melhor não se casar para não ter o trabalho de se separar depois.

A estrutura familiar em que eu passei minha infância era composta por minha avó, duas tias e uma prima. Da adolescência até os 25 anos, a estrutura muda um pouco: minha mãe, minha avó e uma tia. Em todos os casos eu era o mais novo ou, como dizia minha avó, o último a falar e o primeiro a ficar quieto.

Esse meio também contribuiu bastante para minha aversão a donas de casa. Hoje, depois de muito racionalizar, eu até entendo que possa ser uma opção de vida, vá lá. Mas daí a concordar, vai uma distância grande (os conceitos que se gravam na nossa alma não se curvam a argumentos racionais).

Quando você cresce em um ambiente assim – que era bem bacana -, você não traz para a vida adulta aquela compartimentação comum às pessoas “normais”: coisas que homens devem fazer, coisas que mulheres devem fazer e vice-versa. Trocar resistência de chuveiro, por exemplo. Só fui fazer direito depois de casado. Digo direito porque uma vez, eu tinha uns 16 anos, uma vizinha que morava sozinha bateu em casa e me pediu prá trocar a dela. Claro que eu queimei a única resistência nova que ela tinha.

Pneu de carro eu devo ter trocado umas duas ou três vezes na vida. Até hoje prefiro levar o carro com o pneu no chão até o borracheiro mais próximo. Não só trocar. Um dia a @fkyrillos brigou comigo porque eu perguntei por que ela não levou o carro ao borracheiro e ela disse que era “coisa de homem”. O problema é que eu não sabia disso.

Mas tem o lado bom também. Em diversas entrevistas de emprego já me perguntaram se eu via problema em ter uma chefe mulher. Eu dizia que não e pensava: “meu amigo, você não faz ideia do que é ter uma chefe mulher de verdade”. Também nunca me incomodei em dividir conta, que para algumas feministas um pouco mais radicais sempre foi ponto de honra.

Isso tudo me veio ontem, vendo o casamento real inglês e os comentários femininos em torno da agora princesa Kate. Voltei a estranhar o feminismo, que decidiu tirar férias para babar – de inveja ou encantamento – com o conto de fadas da mocinha.

sábado, 23 de abril de 2011

Homem: Ser monotarefa

Por mais que tenha tentado, até hoje eu não entendi como os homens conseguem estar tão perto de uma criança e não perceber que ela está aprontando alguma peripécia. Por exemplo, sábado passado estávamos Maria Helena, @fabiobbarros e eu em casa. Aquele dia sem compromissos, sabe? Pois bem, MH estava à mesinha desenhando e pintando revistas de colorir, sentada exatamente aos pés do @fabiobbarros. E eu, imaginem vocês, arrisquei um cochilo no sofá da sala (logo vocês entenderão o “arrisquei”).

Acho que esse cochilo durou dez minutinhos, se tanto. Quando entreabri os olhos, vi a Maria Helena, com a caneta esferográfica em punho (que não era a utilizada para a pintura que ela fazia antes de eu cochilar) colorindo adivinhem o quê? Não, nada de revistas de colorir, nem tampouco as mãos (coisa que ela faz com alguma frequência) ou muito menos folhas de caderno. Ao invés disso, ela estava fazendo desenhos no couro do tênis dela!!! Desenhos elaborados, diga-se. Um sol com longos raios ilustrava o pé direito do tênis, enquanto o esquerdo trazia as iniciais MH e outros tantos rabiscos (sim!! Ela desenhou em ambos os pés).

Eu acordei imediatamente do cochilo. Vocês podem calcular que fiz isso chilicando com a Maria Helena e, claro, com o pai dela, que estava concentrado no celular, provavelmente no Twitter, Facebook, Foursquare ou Majong da vida. E aí eu pergunto: como foi que o @fabiobbarros não viu?! Ela estava sentada, como eu disse aqui em cima, exatamente nos pés dele!! “Não vi, ué?”

Pois é, não viu desta vez tanto quanto num outro dia, em que estávamos comendo uma feijoada na casa de uns amigos vizinhos aqui do condomínio (daquele casal cuja esposa veio pedir maisena dia desses). Eu, na cozinha ajudando a dona da casa, tinha certeza que ele estaria de olho na Maria Helena. Situação normal de casal com filho que vai almoçar no vizinho, certo? Errado!!

Fui até a sala. “Fá, cadê a Lelê?” Ele, cerveja não mão, sentado em uma poltrona de costas para o quintal, aponta, sem se virar: “está aqui no quintal”. É verdade que eu pergunte onde ela estava e não o que ela estava fazendo. No entanto, do jeito que ele respondeu, parecia certo que a situação estava totalmente sob controle... Tão logo eu olho para fora, no entanto, vejo terra voando: sim, era a Maria Helena cavando o jardim do casal e jogando a terra pro alto. Mas ele sabia que ela estava lá. Fazendo o que é o de menos.


Sabe aquela velha história que os homens só conseguem fazer uma coisa por vez? Então, o @fabiobbarros escolheu, nesse caso, a cerveja. Em casa, o Twitter. E eu, quem mandou querer cochilar em plena tarde de um sábado de ócio?

sábado, 16 de abril de 2011

Nos Bastidores da DR

Encontrei este texto hoje, no Facebook do Sergio Rubinato. Foi escrito pelo Mytho Leal para o Papo de Homem (http://papodehomem.com.br/o-que-acontece-na-mente-dos-homens-durante-uma-discussao-de-relacionamento/), mas poderia ter sido escrito por qualquer um de nós, homens. Aproveitem.

O que acontece na mente dos homens durante uma discussão de relacionamento



Dias desses eu estava ouvindo numa qualquer estação de rádio que o cérebro dos homens “desliga” durante brigas e discussões com mulheres.

Visto que eu já passei por isso algumas muitas vezes e sempre odiei este defeito (pensava ser uma particularidade minha e de mais dois ou três fulanos por aí), resolvi pesquisar um pouco e cheguei a este artigo. Na verdade cheguei a uma porrada de sites, noticiosos ou não, que dizem o mesmo:

Durante uma discussão, o cérebro do homem “hiberna”, e o da mulher, pelo contrário, aumenta a atividade, sensibiliza-se. Eu não pretendo explicar aqui os motivos desse funcionamento bizarro, que pelo visto acontece muito mais do que eu imaginava, só relatar minha experiência e ouvir vocês.

Como se engendra a tortura, lance a lanceA verdade é que não raramente eu tenho diálogos e discussões fantásticas com a minha esposa… na minha cabeça. Sempre que eu estou chateado e decido ter uma conversinha com ela, toda uma discussão passa pela minha cabeça, com respostas delas, respostas minhas e, muito frequentemente, a minha lógica prevalece.

Você deve pensar:
“Lógico, na sua cabeça você está certo, por isso a sua lógica vai sempre ganhar a dela, na sua cabeça, mas na hora da discussão real ela reage diferente do que você tinha imaginado.”
Errado. Na maioria das vezes, ela responde exatamente o que eu tinha simulado.

O problema, meus caros, sou inteiramente eu. Na hora que ela dá a resposta já esperada, me dá um branco-Omo-imaculado tão grande, que eu simplesmente não consigo pensar em mais nada. E nessa hora, camarada, vira tortura. Porque agora que a conversa começou, ela vai querer dizer tudo o que ela pensa, tudo o que ela já te disse 200 vezes, tudo o que ela acha de você. E na sua cabeça tem um coelhinho sem Duracel que já ficou sem bateria faz tempo.

E o que é pior, o seu silêncio despoleta nela uma sensação de razão e autoconfiança (afinal, quem cala consente), e ela vai falando cada vez mais, ao mesmo tempo em que você se apercebe: “Não foi assim que eu ensaiei”.

É frustrante. E essa frustração transparece. A mulher vê a sua cara de frustrado, e fica achando que é porque você está dando razão a ela, quando na verdade, você está tentando descortinar das catacumbas do seu cérebro uma frase coerente, que rebata com lógica o argumento totalmente equivocado que ela acabou de chapar na sua cara como se fosse uma verdade irrevogável. E você quieto, sem conseguir dizer uma palavra. Quando consegue, é um protesto mínimo que apenas vai alimentar a fogueira.

Você consegue finalmente dizer:
“É aí que você se engana”.
Ela expande as narinas, abre os olhos na sua direção com fúria e prazer no olhar (porque ela sabe que você está incapacitado), e te pergunta: “Estou enganada por quê? Me explica, quero que você me diga o que vai na sua cabeça, já que você nunca diz…”.

Companheiro, em português claro, nesse momento você tá na merda. Você gastou todos os recursos do seu cérebro para dizer “É aí que você se engana” e ela quer mais. Ela quer argumentos. E você só quer fugir dali. Quer que ela pare de falar, quer estar em qualquer lugar menos ali, enquanto ela, depois do seu silêncio, recomeça a falar, ainda mais confiante do que antes.

Aí você começa a ficar impaciente, e basta ela se empolgar um pouquinho mais e dizer algo ofensivo, que você é alvo de um sequestro de amígdala e, na tentativa de autopreservação, como se fosse um reflexo, fala algo totalmente impensado e particularmente doloroso.

Ela começa a chorar. Você, ainda acreditando estar com a razão desde o início, ainda chateado com ela (por achar que está certo), pede desculpa. E mais uma vez ela vence a discussão, que desde o início já estava ganha, por ser uma discussão unilateral. É impossível você perder num monólogo.

Familiar?As pesquisas mostraram que apesar do cérebro masculino “desligar” durante uma discussão com uma mulher, o mesmo não acontece durante uma discussão com outro homem. Seria hilário ver dois homens tendo uma DR, caso acontecesse.

Talvez os homens tenham o instinto de proteger as mulheres e tenham medo de magoá-las com algo dito. Talvez, na mente masculina, a discussão esteja associada a agressão e por isso os homens desliguem quando começam a brigar com uma mulher. Só acontece comigo quando a discussão é com alguém de quem eu gosto. Eu não tenho o menor problema quando preciso discutir com uma desconhecida.

Enfim, na minha visão essa é uma condição debilitante, frustrante e injusta, tanto para o homem, que gostaria de poder dizer tudo o que realmente pensa, quanto para a mulher, que gostaria de pelo menos uma vez na vida saber o que ele realmente está pensando, em vez de discursar sozinha por horas a fio enquanto ele só balança a cabeça.

Como você, homem, lida com isso? Acontece com você também? E você, mulher, se apercebe do que acontece com o homem durante uma discussão? Ou você acha que a cara de paisagem dele é apenas uma afronta e sinal de desrespeito?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bolo de Banana

Experimente este Bolo de Banana que une praticidade e muito sabor. Prove e Aprove!
Rendimento
10 porções

Ingredientes
Massa
1 1/2 xícara(s) (chá) de açúcar
6 unidade(s) de banana em fatias
4 unidade(s) de ovo
3 colher(es) (sopa) de manteiga
1 xícara(s) (chá) de leite
3 xícara(s) (chá) de farinha de trigo
1 colher(es) (sopa) de fermento químico em pó

Calda
3 1/2 xícara(s) (chá) de açúcar

Modo de preparo
Massa
Bata bem, na batedeira, os ovos, a manteiga e o açúcar, até formar como um creme. Acrescente então, o leite e a farinha de trigo, aos poucos e alternadamente. Bata até a massa ficar homogênea. Junte o fermento e mexa delicadamente.

Calda
Em uma fôrma, queime o açúcar (no fogão), até que vire caramelo. Depois, unte bem todo o fundo e as laterais da fôrma com esse caramelo.
Coloque as bananas sobre o caramelo. Se precisar coloque mais bananas. Depois, por cima das bananas, despeje a massa. Leve ao forno por cerca de 30 a 40 minutos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O jornal e a correria matinal

Minha primeira ideia quando criamos esse blog era atualizá-lo uma vez por semana, se tanto. Só que, gente, eu preciso compartilhar isso com vocês, saber se é mesmo coisa de homem ou se eu tirei a sorte grande.

As manhãs aqui em casa são um tanto quanto corridas. Eu acordo às 7h, tomo um banho rápido. Chamo a Maria Helena pela primeira vez às 7h15, me troco, chamo MH de novo perto das 7h20 e visto ela ainda deitadinha. Xixi, escovar os dentes, lavar o rosto, pentear os cabelos – aquele das tranças mencionadas no último post do @fabiobbarros (eu aprendi que cabelo comprido precisa ir amarrado para a escola. Então, não tem jeito. Todo dia é um tal de desembaraçar, passar gel, esticar, amarrar... vocês imaginam o trabalho, né?).

Bom, enquanto isso, o @fabiobbarros desce e prepara o Toddy. Ok.

Pronta, Maria Helena desce e toma o leitinho. Eu estou ainda lá em cima acabando de me aprontar. A essa altura já são mais ou menos umas 7h40 (a pequena entra às 8h) e falta apenas colocar os lanchinhos na mochila (eu os deixei prontinhos na véspera), embarcar a Maria Helena no cadeirão e afivelar o cinto de segurança.

7h45. Eu desço achando que a mochila está pronta e a Maria Helena, no carro. Certo? Errado!!! Maria Helena está sentada no sofá e o @fabiobbarros, pasmem, está à mesa lendo jornal! Gente, como assim? Não dá tempo nem de ler a manchete, que dirá folhear o diário!

“Fá, você está lendo jornal?!”, eu pergunto, indignada. “Tô, ué? O que falta?”, ele responde, tranquilo. “Falta colocar o lanchinho na mochila”. @fabiobbarros levanta, coloca o lanchinho na mochila e... Não, ele não foi colocar a Maria Helena no carro. Acreditem, ele sentou de novo pra continuar lendo – ou tentando ler – o jornal. “Meu, são dez pras oito!”

Corremos todos pro carro. Mais um dia começou.

domingo, 10 de abril de 2011

Tem maisena em casa?!

Eu até ia escrever um post em resposta ao último do @fabiobbarros, mas pra mim é óbvio demais. Não há dúvidas sobre a necessidade de desfazer a trança pra lavar o cabelo da Maria Helena, nem tampouco sobre como se desfaz essa trança. Então decidi escrever sobre uma passagem mais interessante.

Dia desses uma vizinha bateu em casa pra perguntar se eu tinha maisena pra emprestar. Situação normal de vida em condomínio. Até aqui, nada demais.

Interessante mesmo foi quando eu respondi a ela que sim. Minha resposta veio seguida de um espantado “Tem??!!!!” disparado pelo @fabiobbarros. Foi como se a vizinha tivesse vindo pedir, sei lá, um pacotinho de cocaína. Na hora, cheguei a pensar que tinha entendido errado o que ela viera pedir. Mas não: o @fabiobbarros não se conformava que tínhamos maisena em casa. “Tem maisena aqui??!!” (os muitos pontos de exclamação são para tentar traduzir em palavras a surpresa dele). Ter maisena na dispensa era mesmo algo inimaginável.

Quase tão impensável, aliás, quanto ter um pacote fechado de guardanapos, um pote de Toddy extra ou um rolo de papel alumínio.

Eu quis entender o motivo de tamanho espanto, mas desisti. Acho, na verdade, que o @fabiobbarros pensa que o molho branco ou o creme de milho engrossam mesmo por magia. Mágica, quem sabe, dos mesmos duendes que trocam rolos de papel higiênico e fazem surgir meias e cuecas novas nas gavetas. Preferi não discutir e nem abalar a fé do @fabiobbarros.

A vizinha levou a maisena e eu deixei a história pra lá...

Ah, elásticos...



Dia desses a @fkyrillos pediu que eu desse um banho na MH (nossa filha de 3 anos). Tudo bem, tranquilo, fazemos isso ao menos três vezes por semana. Mas a criança estava com tranças no cabelo e aí bateu aquela dúvida, mais que justificada: “Dá o banho de tranças?”.

“Não, né??”. Assim mesmo, com duas interrogações. Tem tanto jamaicano no mundo que passa a vida tomando banho com dreadlocks, por que a criança não poderia tomar um banho com tranças? Bom, tem que tirar, vamos tirar...

Olhei para as tranças, olhei para a @fkyrillos, olhei de novo para as tranças, olhei para a... “É só tirar os elásticos que a trança desmancha”. Repararam no “só”? Quando a @fkyrillos diz que é SÓ fazer alguma coisa, geralmente ela quer convencer o interlocutor de que aquilo é fácil, simples e corriqueiro, mas é o contrário.

Olhei de novo para as tranças. Havia ali dois elásticos: um em cima e outro no final. Ótimo, se eu soltar uma volta, ele afrouxa e é só puxar. A questão é que cada um deles tinha umas 429 voltas, não dava prá soltar nada. Puxei de um lado, de outro, e não soltou um milímetro. Não dava prá afrouxar.

Se não afrouxava, o jeito era puxar de uma vez. O cabelo da MH é liso, ia sair fácil. Mas aí entram os acessórios, e a MH já tem os seus. No meio da trança tinha um tererê, e no final do tererê, contas coloridas. Quando eu puxei o elástico (o de baixo), ele veio enrolando, enrolando, até se embaraçar nas contas que estavam na ponta do tererê. Ah, sim, a MH começou a chorar, porque alguns fios de cabelo se enrolaram no elástico e no tererê.

No final das contas (sem trocadilho), o que a @fkyrillos chamou de “só tirar os elásticos”, virou um processo de uns 15 minutos. Foi o tempo de desembaraçar o primeiro elástico com a MH chorando, puxar o segundo, a MH começar a chorar de novo, embaraçar o segundo, a MH chorar mais ainda, desembaraçar o segundo com a MH chorando, e finalmente desmanchar a trança. Na próxima, ela vai tomar banho de tranças!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Falou primeiro, como assim?

Sexta-feira, 19h20...

Eu já tinha desligado o computador por hoje. Aí vem o @fabiobbarros e me diz que "Falou primeiro". Como assim? Vai ter leitores antes mesmo de eu publicar meu post inaugural? De jeito nenhum!

Como boa representante do sexo feminino que sou, cá estou para não deixar barato. Aliás, isso é uma das coisas que o @fabiobbarros adora em mim: tudo tem que ser pra ontem!

Sejam bem-vindos e divirtam-se. Tenho certeza que muito do que escreveremos por aqui será história comum a todos nós. Um beijo!!

Falei primeiro!!

Depois de mais de três meses de gestação - contando apenas o período entre o "vamos fazer" e o "está no ar" - finalmente colocamos no ar o blog Ela disse / Ele disse. Nossa ideia não é discutir a relação em público (DR já é um negócio chato prá quem faz, imagine prá quem assiste, ou lê). Nada disso.

Esse blog nasce só para mostrar as pequenas picuinhas que nos fazem - homens e mulheres - tão diferentes. E só mostrar mesmo. Discutir e buscar solução é coisa prá sociólogo, psicológo, terapeuta, sexológo, psiquiatra e afins...

É isso. Está inaugurado e, motivo de festa, eu bloguei primeiro. Todo mundo sabe que a @fkyrillos tem a última palavra, mas a primeira foi minha!!!